Thursday, July 17, 2008

Educação Alimentar, Urgência

Hoje resolvi abordar o tema da obesidade, não de forma científica ou extensa, mas antes com ar apreensivo.
Apreensão esta fruto do que vejo todos os dias nos transportes públicos, na rua, na faculdade e em muitos outros locais públicos e que me leva a estar em pleno acordo com a Organização Mundial de Saúde que considerou a obesidade a "epidemia do século XXI".



A obesidade está por todo o lado, é uma daquelas doenças, Sim é uma doença, que não escolhe género ou classe social, talvez escolha países pois os países desenvolvidos apresentam taxas de obesidade elevadíssimas. No entanto, alguns países do Médio Oriente ou da América Latina também já se debatem com esta epidemia que também afecta os cofres dos Estados no seu combate.



É triste quando reparamos que os miúdos ainda no pré-escolar já têm peso a mais e que os pais negligenciam as suas dietas alimentares não tendo em conta que o conceito de educação é igualmente extensível ao que se ensina a comer. Eu chamo a este desleixo dos pais negligência, uma vez que o que comem desde pequenos os irá orientar para o futuro, se aprendem a gostar de fast food, dificilmente deixarão de gostar mas tarde, por outro lado, se lhes ensinam que os legumes, a fruta ou o peixe são saborosos e fazem muito bem ao seu organismo, crescerão a saber gostar destes alimentos.



Há que ensinar os miúdos, e também os graúdos que o que comem não serve apenas para "encher o bucho", serve para alimentar todo um organismo que necessita de certos nutrientes, de qualidade nutritiva para que tudo funcione de forma regular.



Não digo que seja fácil educar as pessoas em geral para uma alimentação de qualidade, pois a publicidade que nos rodeia apela para alimentos com alto índice calórico, com muito açúcar, sal e gordura. Basta termos em conta o crescente número de cadeias alimentares de fast food que vemos em centros comerciais ou mesmo a secção de congelados dos supermercados que abundam em comida pronta a colocar no micro-ondas, e que de saudáveis nada têm.



Contudo, a publicidade ou a falta de tempo para cozinhar não são desculpáveis para o que hoje assistimos à nossa volta: pessoas GORDAS, com diabetes, colesterol, hipertensão arterial, apneia do sono e muitas outras consequências que da obesidade derivam.



A obesidade não é apenas fruto de uma má alimentação, embora este seja o principal factor, a sedentarização que hoje inunda a nossa sociedade também ajuda à festa.



Vou só dar um exemplo deste sedentarismo, ou preguiça como gosto de dizer. Quando entrei para a faculdade à três anos atrás, as miúdas da minha turma estavam todas dentro do peso normal, três anos passados apenas meia dúzia continua tal como estava, as restantes aderiram ao clube do "efeito pêra ou maçã". Tal aconteceu pois deixaram de fazer exercício físico ou porque não se querem dar ao trabalho de prepararem almoços e jantares em casa(dá trabalho), de fazer refeições saudáveis, preferem as máquinas de chocolates, os bolos do bar, as gomas, etc



Se elas soubessem como cozinhar é tão estimulante, criativo "prazeiroso".



Faz-me muita confusão toda esta preguicite, pois mesmo em frente do edifício da faculdade existe um ginásio e não me venham dizer que não têm tempo é que sempre tivemos horários que nos permitiram frequentar o ginásio, coisa que eu faço desde o início do curso.



A grande maioria das pessoas são obesas ou possuem peso a mais porque querem, porque nada fazem para contrariar isso...é triste.



Outra coisa que também me faz uma grande confusão é a reticência que têm em provar pratos diferentes, legumes, frutas ou peixe e ainda têm o descaramento de falar de gastronomia utilizando termos como "porcaria", "nojo" e muitas outras coisa que me põem fora de mim.



Gosto de gente que se atreve a experimentar coisas novas, saudáveis, de qualidade, da terra e que tem um grande respeito pela arte de comer, pois para mim é uma arte.



Se houvesse uma Educação Alimentar tudo seria diferente, aprender-se-ia a ter um maior respeito por quem cozinha, pelo que se come, pelos alimentos e por NÓS mesmos.



Não posso terminar sem antes dizer que já me sinto um pouco feliz por contribuir para a educação alimentar, ainda a no inicio, do Tiago.

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