Monday, May 27, 2013

"Melancolia Gastronómiica""

Fiquei bem confusa quando olhei para a folha em branco e de caneta em posição esbarrei no tema(s) para este post, dado que fervilha tanta coisa na minha cabeça que a incapacidade de optar (algo transversal na minha vida) me leva, muitas vezes, ao abandono, mas dei um chega para lá na estranha incapacidade e optei então pela melancolia gastronómica que a maternidade me trouxe.


Ficar grávida neste momento não foi, de todo, algo planeado, contudo, e como quase tudo na minha vida não é metodicamente pensado e até agora não me posso queixar por aí além do rumo, o apoio da família e amigos e claro do namorado, foi extremamente positivo, encolhi os ombros e disse para mim mesma “Porquê não Joana?. Já tens quase 27, a ideia de ser mãe sempre foi pertinente na minha existência e esperar pelo momento económico perfeito parece-me um pouco ridículo nos tempos que corem.”. E tal como minha mãe me disse “filha, tudo se cria”.


Foi então este o momento em que surgiu o clic, ou o que eu apelidei acima de melancolia gastronómica. Achei que era então tempo de voltar aquilo que fora por tantos e bons anos, uma menina saudável com uma alimentação o mais possível equilibrada e que me põe hoje em dia a comer umas 5 a 7 vezes por dia em doses pensadas e que me deixam bem alegre (Chiça como n vezes por dia e o peso continua o mesmo - também voltei ao ginásio), ingerindo agora coisas que adoro e quase me havia esquecido do quão saborosas e necessárias ao organismo o são como a fruta.


É óbvio que todo este novo-velho estilo de vida implica novas rotinas, como a de cozinhar em casa com frequência diária (a vinda para Londres e as muitas horas passadas a trabalhar tinham-me reduzido este prazer a eventos pontuais), a elaboração de uma lista de supermercado que tenha em atenção a inflação nos preços dos produtos nos supermercados ingleses, uma escolha variada de produtos mas não muito extensa, antes um cesto cujos produtos possam ser combinados em diferentes formas de maneira a criar pratos variados - explicarei num outro post como toda esta engraçada façanha se processa para mim - e claro, o “forçar-me” a parar para comer, pois numa cozinha profissional tal não é tarefa fácil e acredito que se a tal “luxo” me posso dar agora tal apenas se dá a este minha condição .


O resultado tem sido bem positivo e vivendo todas aquelas maleitas do 1º trimestre de gravidez riquíssima em problemas digestivos, náuseas e indisposição pertinente, tenho-me sentido melhor comendo o que cozinho ao contrário das vezes em que tenho de comer lgo fora de casa. Tenho igualmente revisitado pratos que são usuais na casa do meus as ou no infantário/ATL que frequentei e do qual me recordo com perfeita nitidez as ementas (muito ajuda o facto de a minha mãe lá trabalhar há quase 20 anos e esse ser sempre um ponto de passagem quando a casa vou). Ingredientes, combinações e receitas que me recordam a minha terra e ao que parece o meu estômago não se ressente muito. Não quero com isto dizer que a gastronomia de Terras de Sua Majestade não seja agradável, são, aliás e dado o facto de conviver com muitos ingleses com apurado paladar, assistir a excelentes programas televisivos que enaltecem a gastronomia inglesa e mesmo vivendo com um chef puro sangue inglês que cozinha que é um encanto, não posso de forma alguma cuspir no prato que como. 

Apenas vivo uma engraçada melancolia que me atira para coisas mais mediterrâneas e como a temperatura tende ser mais amena tudo se configura para ratos com mais cor, menos pesados, simples como é exemplo a salada que hoje preparei para o meu almoço e que será o de amanha também: grão-e-bico, com atum, cenoura ralada, tomate em rodelas, salsa picada, azeitonas e tudo temperado com um fio e azeite e sal. Simples, nutritivo e com um sabor a casa.


Até amanhã!


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