Thursday, April 07, 2016

Dicas de Mãe - primeira partilha





Inauguramos hoje uma nova rubrica aqui no Blog. Algo que me deixa muito feliz, não só pelo tema como pelo desafio de todos os meses partilhar com quem me segue testemunhos de outros pais relativamente ás suas experiências, dicas e até estratégias para lidarem com os seues mais pequenos (bem, alguns deles não tão pequenos assim, mas que para nós pais, sempre muito babados, nunca deixarão de o ser).

Epero que com esta Dicas de Mâe (e homens não se sintam descriminados com a designação da rubrica) outros pais ou futuros pais possam:
- ver outras realidades parentais
- aprender novas estratégias educacionais
- sentirem um maior conforto na sua função de educadores (eu sei, a pressão hoje em dia é enorme)
- e  quiça aprenderem algo de novo (eu acho que é na partilha de experiências que o ser humano aprende - sou um pouco romântica, eu sei)

Neste primeiro testemunho trago-vos a Leonor, autora do Blog ( Na Cadeira da Papa) e que é mãe de duas meninas  bem próximas na idade ( imagino a azáfama diária com duas tão pequenas), a T tem 2 anos e a L com  4.  E em 4 perguntinhas abordamos umas quantas coisas interessantes (resolvi colocar a negrito alguns pontos que para mim são de salientar nesta partilha e que me deixaram  mais confiante, normal e me ajudarão com o meu Edu -  espero que por aí também).

Joana - Leonor, sei que educas as tuas filhas para que sejam bilíngues. Podes explanar um pouco sobre processo, já que ambos os pais são portugueses e vivem em Portugal. o porquê e os resultados práticos dessa educação.

Leonor - Neste momento as meninas frequentam uma escola bilingue e é a partir desta simbiose, inglês na escola e português em casa, que a vamos educando de forma bilingue. Do que lemos, é importante esta distinção, ter pessoas específicas com quem só falam determinada língua. Em casa um dos pais pode assumir esse papel, um falar só numa língua e outra na outra, e assim as crianças adquirem muito rapidamente as duas línguas. Nesta fase, é tudo feito em tom de brincadeira, muitos jogos, músicas e actividades. Já começam a ter um vocabulário vasto e conseguem manter uma conversação simples (mais a L., que a T. pouco fala ainda). L. que já vai falando mais, tem uma pronúncia óptima! É uma das grandes mais valias de começar o ensino de inglês em idades precoces, aprendem por ouvido e não escrito, como eu aprendi, por exemplo. Temos sempre aquela fase de grande confusão para eles, que falam mais como lhes dá jeito. A L. costuma dizer que a maçã está “róta-” (rooten) e ainda não fixou que é “podre”, porque simplesmente ouviu dizer primeiro “rooten”, que podre. Muitas vezes está a descrever alguma coisa e mistura as cores, do tipo “gosto muito dessas sapatilhas cor-de-laranja, pretas e brown”. Ou mesmo a T. que às vezes diz “toes” para se referir aos pés, simplesmente porque aprendeu a dizer primeiro “toes” que “pés”. Isto é um bom sinal, é sinal que pensam nas duas línguas e gradualmente vão fazendo mais a distinção.

 Importante esclarecer, que no nosso caso, nenhum de nós tem ligações (trabalho, descendência, etc) que justifiquem esta opção. Simplesmente achamos que é uma mais valia para elas e tendo oferta de colégios nesse sentido, aproveitámos.


Joana - Acho bastante interessante a rubrica que tens no Blog sobre o que colocas semanalmente nas Lancheiras das pequenas, dado que que essas refeições podem ser as mais aborrecidas  (por vezes é sempre do mesmo) e/ou as mais nutricionalmente pobres. Dá-nos então as tuas super dicas de como fazer dessas lancheiras as mais apeteciveis da escola. Mesmo a causar inveja nas outras mães .-)

Leonor - Bom, a minha primeira preocupação é que sejam variadas e coloridas. Por isso fotografo-as (a minha memória já não é o que era), revejo as lancheiras que fiz nessa semana, inspiro-me em lancheiras das semanas anteriores. O meu ponto de partida, normalmente é a fruta (que às vezes é substituída por cenoura para a L.), é sem dúvida a parte colorida da lancheira. A partir daí defino o que levam a acompanhar. Se a manhã for apressada recorro a tostas e pão, se for uma manhã mais calma preparo qualquer coisa mais elaborada. Elas participam sempre na elaboração e orientam-me qual é a sua vontade naquele dia. Instintivamente já têm muita variedade nos seus pedidos e relembram-me que já levaram manga, ou tostas, naquela semana, para eu escolher outra coisa. O pão vai cortado em formas, porque elas tiram sempre a côdea, por isso, mais vale levar esse trabalho adiantado. E assim, com formas, muita cor nas frutas, vão se compondo lancheiras mais criativas. Elas adoram e eu também.

Joana - Imagino que a hora do jantar nem sempre é a mais calma, com duas pequeninas que procuram desenvolver e afirmar as suas personalidades, a harmonia nem sempre é a desejada, certo? Eu tenho umas quantas teorias sobre essa hora, mas hoje quero saber aquilo que praticas aí em casa .. do que falam, de como é apresentada a comida aos mais pequenos, como ultrapassas os "não gosto" ou "não quero".

Leonor - Bom, a hora de jantar é longa, não começa quando nos sentamos à mesa. Há um envolvimento muito grande delas na preparação, andam sempre atrás de mim com os banquinhos para verem o que estou a fazer. Sempre que há tarefas que elas podem ajudar, ponho-as ao trabalho. Nestes momentos vamos falando um pouco do que estamos a fazer, de como correu o nosso dia, o que há planeado para os próximos dias para elas fazerem (se há piscina no dia seguinte ou não, se há festas ou jantares fora de casa, etc). Neste processo elas já vão provando e petiscando, que ajuda a estarem mais “preparadas” na hora de refeição. Isto culmina com o sentarmos à mesa, elas já sabem o que é o jantar, porque ajudaram a fazer, comentam se está bom, se não está, se querem que eu volte a repetir aquele prato, ou não. Lido com muitos “não gostos” e pessoalmente... não gosto da expressão (que irónico). Incentivo sempre a provarem, antes de dizerem que não gostam e uso várias estratégias para contornar a situação. Começo por tentar perceber o que não está do agrado, como podemos melhorar para que elas queiram provar/comer. Ainda esta semana a L. não queria a sopa e perguntei se com uns cogumelos por cima ajudava que a sopa ficasse mais “apetitosa”, ela disse que sim e eu salteei uns cogumelos em 2 minutos. Acho que não vale a pena fazer “finca pé” nestas coisas. Depois tento ao máximo que elas usem expressões mais positivas, em vez do “não gosto” ou “não quero”, como “eu prefiro comer isto a isto”, “estou indisposta, fico por aqui”, depois disso, logo vemos o que a mãe acha da proposta delas. Mas por norma, não são miúdas de implicar muito com a comida.

Joana - Como te defines enquanto mãe? Neste vídeo  (que convido todos a verem) a Flávia Calina brasileira  que é educadora de infância, e mãe de uma linda menina de 2 anos, apresenta os 4 tipos de pais (helicóptero, sargento, liberal e consultor), consegues dizer-me com o qual ou quais te identificas?

Leonor - Durante muito tempo fui os 4 tipos! Ninguém avisou que aprender a ser mãe era tão difícil. Já tive um bocadinho de helicóptero, um bocadinho de permissiva e um bocadinho de sargento. Com o tempo, a experiência e conversando muito com outras mães, fui estabelecendo o meu lugar como “consultora”. E arrisco-me a acrescentar uma sub-categoria a de “mediadora”, que surgiu depois da T. nascer. Educar uma criança é sem dúvida um desafio, mas quando lhe damos um irmão surge uma nova variável, que é educar a sua relação. Para mim o importante é que elas saibam resolver os seus problemas sozinhas, que consigam estabelecer compromissos entre elas e que tudo se resolva em harmonia. Neste aspecto, a minha intervenção é quase mínima, sou um árbitro que as vai ajudando a gerir as tensões. Sou imparcial, não defendo nenhuma, nem fico do lado de nenhuma, tento ajudar a clarificar o ponto de vista de cada uma, a outra. Na minha relação com cada uma delas, como mãe, coloco-me muito no lugar delas e trato-as como iguais a mim, falo como gostaria que falassem comigo e tento sempre que elas descubram sozinhas as consequências dos seus actos e decisões. Deixo-as experimentar tudo o que quiserem experimentar (e o meu bom senso permitir) e sou uma pessoa que tenta mais orientar/guiar as minhas filhas em determinadas situações (nunca com perguntas), do que propriamente mandar. Como não somos perfeitos e a maternidade é um processo, de vez em quando lá vem um bocadinho dos outros 3 tipos atrapalhar a viagem, mas na grande maioria do tempo sou, e o meu esforço é de ser, a mãe consultora.

4 comments:

Raquelita Mendonça said...

Que ideia gira! Já conheço e sigo o blogue Na Cadeira da Papa e agora conheço mais um bocadinho que quem está por trás dele. Parabéns às duas pela primeira publicação! Beijinhos, Raquel Mendonça

Joana Junqueira said...

Muito obrigada Raquélia .. foi um prazer trazer este post para o blog e assim partilhar com quem nos segue algumas experiências da maternidade :-)
Um abraço.
JGJ

Claudia Jorge Mendes said...

Também gostei muito desta partilha. A Leonor e a Joana são 2 pessoas que sigo e que gosto imenso. Bom fim de semana. Beijinhos

Joana Junqueira said...

oBRIGADA .-)